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A formação das cores – parte 2

Vamos à segunda parte do artigo sobre formação das cores na impressão Offset.

Depois de saber como funciona a reflexão e absorção das cores no papel é importante saber o processo de separação de cores para impressão. Veja como funciona:

Estão lembrados da história da tinta preta? Vejam uma imagem que mostra bem a falta que o preto pode fazer em uma foto:

Além das 4 cores cores foi desenvolvido também um padrão de pontos que permitiria uma variedade de tons para cada uma das chapas:

A imagem colorida seria, no momento da separação, transformada em 4 outras imagens preto e branco, formada por pequenos pontos que iriam definir as áreas claras e escuras.

Mas aí veio um problema: a sobreposição desses pontos na hora da impressão poderia causar um efeito visual desagradável, o Moiré (veja a seguir a primeira imagem sem Moiré, e a segunda com).

Para solucionar esse problema colocaram cada uma das tintas com seus pontos alinhados em ângulos diferentes:

E o resultado final ficou assim:

Espero ter elucidado as dúvidas, mais do que posso ter confudido, rsrsrs, mas esse é um assunto de suma importância que todos que trabalham ou gostam da produção gráfica deveriam saber bem.

Obrigado pela leitura e até a próxima!


A formação das cores – parte 1

Retomaremos a série sobre os tipos de impressão falando sobre como se formam as cores na impressão Offset.

Primeiramente temos que entender como a cor chega nos nossos olhos.

A luz do sol (e de qualquer objeto que emite luz) pode ser absorvida, refletida, transmitida e refratada. A refração é quando, através de um objeto refrator como um prisma, a luz é decomposta ou dividida para pontos diferentes. A transmissão acontece em vidros por exemplo, quando nenhuma parte da luz é perdida (caso hipotético). E o que nos interessa aqui, a absorção e a reflexão.

A luz que vem do sol ou qualquer fonte de luz branca, é composta por todo o espectro de luz visível pelos nossos olhos.

O nosso olho possui células nervosas especializadas em enxergar cores, chamados Cones. Quase dois terços dessas células são de responsáveis por enxergar a faixa de baixa frequência, os vermelhos, um terço enxerga a faixa média, os verdes, e apenas 2% consegue enxergar a alta frequência, os azuis. Por essa razão, e por termos uma distribuição de dois extremos, vermelho e azul, e uma faixa média, verde, é que foi criado o padrão RGB. Podemos ver como as cores principais formam outras secundárias na síntese aditiva, abaixo:

E nós só enxergamos alguma coisa quando a luz chega aos nossos olhos. Essa luz pode vir diretamente de uma fonte emissora, como o sol, uma lanterna, um monitor ou uma tv, ou indiretamente, refletida por uma parede ou um papel.

Mais duas ilustrações:

A geração das cores na reflexão é chamada de síntese subtrativa, onde as tintas impressas servem como filtros absorvendo parte da luz, subtraindo-as. Portanto, para enxergarmos uma cor Cyan, por exemplo, a tinta Cyan deverá absorver a sua cor complementar (veja o terceiro quadro, a complementar é a cor oposta no gráfico) que é o Vermelho. Um exemplo de como funciona a absorção e reflexão da luz no papel entintado:

Ou seja, para as cores primárias (RGB) serem visualizadas no papel, devem existir tintas que filtram suas complementares. As complementares do Vermelho são o Magenta e o Amarelo, as tintas que reproduzem o Magenta absorvem o Verde, e o Amarelo absorvem o Azul. Já as complementares do Azul são o Cyan e o Magenta, e do Verde, Cyan e Amarelo. Portanto para reproduzirmos o RGB precisamos do CMY para filtrar a luz branca e refletir suas opostas.

Teoricamente, com as tintas Cyan, Magenta e Amarelo, conseguiria-se imprimir todas as cores do espectro, porém quando estavam sendo feitos os estudos da evolução da litografia (veja o post sobre litografia e offset) descobriu-se que o preto estava ficando marrom. O preto é a ausência de luz e para ser obtido as tintas tem que absorver todas as cores, ou seja, cada uma das cores “filtrantes” Cyan, Magenta e Amarelo, deveriam bloquear totalmente suas opostas, mas devido à baixa qualidade das tintas (que deveriam também ser economicamente viáveis) isso não estava acontecendo, gerando ao invés do preto, marrom. Existia outro problema relacionado ao preto. A maior parte dos textos eram impressas na cor preta, e imprimi-los usando 3 cores era quase impossível na época, e até hoje, pois exigiria um registro impecável, além de uma variação entre as cores que poderia gerar textos marrom esverdeado, vermelhos, azuis, etc. Conclui-se que a melhor saída era acrescentar mais uma cor na trilogia CMY: o Preto. Com isso os textos poderiam ser impressos em preto puro, e as imagens teriam melhor contraste e definição. Nasceu aí o famoso CMYK, que todos conhecem.

Vamos dar um descanso para a cabecinha de vocês e retornaremos com esse assunto semana que vem!


Processos Gráficos – Offset (parte 2)

Vamos à continuação da nossa conversa sobre impressão Offset.

Como disse no post anterior, a Litografia foi a precursora da impressão Offset, mas como isso ocorreu?

Em 1891 chapas de alumínio para a litografia foram patenteadas, representando um grande avanço pois eram muito mais leves e duráveis que os blocos de pedra, difíceis de transportar e armazenar. A chapa de alumínio permitia também uma granulação mais fina e consequentemente uma maior qualidade de impressão.

A partir da invenção dos processos fotográficos, a impressão também passou por grandes avanços. A fotolitografia e a fotomultiplicadora foram inventadas, o que permitia transpor fotografias para as chapas de impressão. Foi possível obter mais precisão e registro absoluto que seriam essenciais nas separações de cores.

Algumas outras evoluções no processo químico foram incorporadas, permitindo chapas com muito mais qualidade e possibilitando o processo indireto (a litografia era direta) no qual a imagem da chapa entintada, que continha tanto as soluções de água quanto de óleo (tinta), era transferida para um rolo de borracha (blanqueta) e esse rolo é que entrava em contato com o papel, e não a chapa diretamente como na litografia. Isso permitiu uma durabilidade maior da chapa, que não sofria a abrasão constante do papel, muito mais áspero que a borracha.

Outra modificação que se tornou possível veio através do fato da chapa de alumínio ser flexível. Concluiu-se que seria mais produtivo se a chapa formasse um cilindro, girando em torno do próprio eixo, aumentando assim a velocidade do entintamento e diminuindo as dimensões da impressora. A parte transferidora (blanqueta) também em formato cilíndrico, assim como todo o transporte de tinta e papel, possibilitou uma velocidade muito grande de impressão e máquinas compactas.

Mas tudo isso teria sido em vão se não fosse inventado o processo de separação de cores, que permitiu a impressão de fotografias e imagens coloridas numa gama infinita de tonalidades, não sendo mais limitadas às cores fixas. Anteriormente para cada cor era necessária uma chapa (como o que hoje é a escala Pantone). Com esse processo foi possível ter milhões de cores em um mesmo impresso.

E isso é assunto para o próximo post, até lá pessoal!


Processos Gráficos – Offset (parte 1 – Litografia)

Começaremos aqui nossa série sobre processos de impressão, onde iremos apresentar as mais variadas técnicas como Offset, Rotogravura, Flexografia, Tipografia e para começar, Litografia.

Para quem conhece um pouco, sabe que esse sistema não existe mais comercialmente, estando reservado apenas às manifestações artísticas.

Então porque falar sobre algo que representa uma pequeníssima parcela no vasto mundo atual das artes gráficas?

Porque ele é o precursor do tão famoso e difundido processo de impressão chamado Offset.

Litografia, do Grego lithos, pedra e grafo, escrevo, foi inventada por Alois Senenfelder, entre os anos de 1796 e 1798, na Alemanha, buscando um meio de impressão para seus textos e partituras.

O sistema de impressão é chamado “planográfica direta” (não tem diferença de relevo), cujo princípio básico é a incompatibilidade entre a água e o óleo, ficando as zonas a serem impressas “engorduradas”atraindo a tinta e repelindo a água, e as áreas não-impressoras fazendo o contrário (talvez você já tenha ouvido o termo “solução de molha” nas gráficas).

Eram utilizadas pedras calcárias com espessura de 5 a 10cm, onde as áreas a serem impressas eram tratadas quimicamente a fim de ficarem porosas e reterem as substâncias gordurosas (tintas), e as não-impressoras também recebiam tratamento para reter água.

A obra podia ser realizada diretamente sobre a pedra ou decalcada sobre ela. Depois de pronta, a pedra recebia uma fina camada de água e após, uma de tinta, para depois entrar em contato com o papel e transferir a obra.

Prensa litográfica criada por Senenfelder.

Era possível fazer imagens coloridas, utilizando-se mais de uma matriz (pedra), sendo facilmente encontradas reproduções com mais de 8 cores.

No Brasil, a Litografia existe desde o final do século XIV, e era utilizado principalmente para rótulos de embalagens e mesclada com a tipografia para produzir jornais e revistas.

No próximo post sobre processos gráficos iremos descobrir como esse sistema evoluiu para o Offset.

Até lá e boa Páscoa!


Processos Gráficos – Impressão Digital (parte 2)

Voltamos com mais um pouco de impressão digital!

Já que existem tantos dispositivos que imprimem a partir de arquivos digitais e que podem ser enquadrados na categoria “Impressão Digital”, irei enumerá-los (se estiver esquecendo de algum me corrijam):

• Jato de tinta

Impressoras de mesa em geral

Pequena variedade de substratos, impressão em rgb, pouca qualidade

• Jato de tinta de grande formato (plotter)

Impressão em lona, papel, vinil

Tinta com grande durabilidade

Boa qualidade (para o tamanho)

• Jato de tinta para provas

Impressão em papéis especiais

Grande qualidade e reprodução de cores (inclusive Pantone)

Sistemas com até 10 cores

HP Designjet 130

Epson 7900/9900

• Jato de tinta e laser de alta velocidade

Impressão de documentos transacionais em cores ou p/b

Baixa qualidade, poucos substratos (papel em bobinas)

Até 1300 A4 4×4 por minuto

Xerox 650/1300

Océ Colorstream 3000

Ibm/Ricoh Infoprint 4100

• Laser eletrostático com toner em pó (1ª geração)

Cópias convencionais, impressoras laser de mesa e de escritório

Baixa qualidade, impressões somente em preto

• Laser eletrostático com toner em pó (2ª geração)

Impressoras e copiadoras comuns (de escritórios e copiadoras pequenas), muito brilho (já existem novas máquinas sem nenhum brilho) e papéis de gramatura média

Impressões coloridas

• Laser com toner em pó e transferência indireta (2ª1/2 geração)

Uma única passagem, melhor registro de cores, maior fidelidade da primeira a última cópia

Maior variedade de papéis (até 350g/m)

Até 100 páginas por minuto

Formatos até 33×48,7cm

Xerox Docucolor 8080; Xerox Color 1000

Canon C7010

• Laser com tinta líquida eletromagnética

Quatro ou mais passagens do papel; tintas especiais

Formatos de até 75x53cm

Velocidades de até 13800 A4 por hora

Baixo custo de impressão; alta produtividade

HP Indigo 10000; HP Indigo 7600

• Laser com toner em pó e transferência indireta (3ª geração)

Velocidades de até 2400 58x34cm por hora ou 160 A4 por minuto

Baixo custo de impressão; alta produtividade

Xerox Docucolor iGen4 EXP

Xeikon 6000

• Jato de tinta de alta velocidade e qualidade

Velocidades de até 5000 páginas por minuto (isso mesmo, por minuto!)

Baixo custo de impressão; alta produtividade

Tintas de boa durabilidade

Papéis em bobina mas com grande variedade

Agfa Dotrix Modular

HP T400

Xerox CiPress 500

Por hoje é só pessoal!


Bem vindos!

É com imenso prazer que dou início ao Blog do Gráfico.

Como produtor gráfico há mais de 15 anos, não preciso nem dizer o quanto gosto das Artes Gráficas, afinal, se não gostasse estaria vendendo pente pra careca que é mais fácil!

Ministrei cursos sobre Tratamento de imagens, Gerenciamento de Cores, Fechamento de arquivos, fui professor de Produção Gráfica para o curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Tuiuti, em Curitiba, tive uma gráfica digital que depois teve Offset, já trabalhei em Agência de propaganda e Editoras, enfim, vi a Produção Gráfica por todos os lados e espero poder passar um pouco desse conhecimento aqui.

Sem grandes pretensões pois não sou jornalista (apesar de ser publicitário), o meu objetivo é mais entreter do que instruir, portanto sempre pesquisem (de preferência em mídias tradicionais como livros e revistas) antes de tomar qualquer informação, minha ou de qualquer fonte da internet, como verdade, ok?

Obrigado e boa leitura!


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