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O poder do pensamento negativo

Iremos dar uma pausa no assunto de formação de cores para aproveitar a Drupa 2012 que está fervilhando de novas tecnologias, como as rotativas digitais, e falar um pouco sobre uma pesquisa sendo feita pela R.R. Donnelley, o maior conglomerado gráfico “in the world!” (como diria a Hyundai).

Um texto sobre essa pesquisa (em inglês) pode ser lido aqui, mas irei traduzir alguns trechos interessantes a seguir:

“E se em vez de utilizar cabeças de impressão jato de tinta para jogar tinta elas fossem usadas para aplicar uma substância resistente à tinta¹ que irá subtrair parte de uma imagem produzida por impressão Offset (como um bloco de luz em negativo fotográfico), enquanto estiver sendo impressa?

Seria combinar os benefícios de custos econômicos da Offset com dados variáveis. Tal desenvolvimento pode transformar completamente o mercado de impressão.

Pode soar como ficção científica, mas de acordo com a RR Donnelley (RRD), em breve será realidade e a empresa começará a produzir malas-diretas usando o processo ainda este ano.

RRD chama esse processo de Apollo e é parte do acordo da empresa com a KBA. Na verdade, os detalhes sobre Apollo são as notícias mais significativas a surgirem a partir deste anúncio, e dos recentes desenvolvimentos digitais de grandes fabricantes de impressoras Offset este é o mais importante porque vai além da distribuição e aborda o desenvolvimento da tecnologia….

…Apollo é importante porque trabalha com tintas convencionais, papéis e impressoras. Ao invés de tentar jogar tintas de jato convencionais, que são muito viscosas para ser aplicado por cabeças de impressão, ou usar tintas especiais otimizados com seus próprios custos e problemas de aplicação, a empresa desenvolveu um fluido que trabalha com o processo Offset para permitir imagem variável. Ele funciona como uma máscara aplicada ao papel um pouco antes da unidade de impressão. A cabeça de impressão a jato de tinta aplica uma substância fluida oleofóbica – que é repelente de óleo – para o papel, evitando receber a tinta em áreas onde não é necessária. Em outros aspectos, a produção Offset é normal…

…As implicações são significativas. Produzir dados variáveis utilizando papéis e tintas padrão em uma impressora existente heatset offset sopra a economia de outros processos digitais fora da água. Ele também permite a RRD atender seus objetivos estratégicos na impressão digital. Estes são para maximizar o tempo de vida e retorno sobre o investimento de seus sistemas de transporte de papel (offset convencionais e linhas de acabamento), tendo a opção de atualizar aqueles com as mais recentes tecnologias de impressão digital quantas vezes é apropriado….

…Mesmo com base em informações limitadas divulgada a data, este é de longe o mais significativo dos desenvolvimentos digitais anunciadas pelas gigantes alemãs de impressão offset, devido ao processo inovador de desenvolvimento tecnológico que é parte dela.”

¹ Vimos isso nesse post

Eu já iria mais além, no que eu chamo de impressão híbrida, computer-to-press de verdade, e colocaria esses jatos-de-tinta para imprimir com essa substância oleofóbica direto na chapa (que não teria nada gravado), funcionando de maneira similar às impressoras lasers e seus “cilindros de imagem”, onde a imagem seria formada a cada nova entrada de papel diretamente nesse cilindro, para depois ter a tinta offset aplicada e transferida para a blanqueta. Daí teríamos um custo de offset (um pouquinho maior em virtude da cabeça jato-de-tinta e da substância oleofóbica) com o benefício da impressão digital, totalmente sob demanda e customizável, podendo se imprimir one-to-one.

Será que é sonho ou o futuro?


O futuro da impressão – parte 3

Na virada do século vinte a computação pessoal já não era coisa de ficção científica e as comunicações, avançadíssimas com a internet e telefonia móvel.

Nessa época os impressores do mercado promocional sentiram um friozinho na barriga, acreditavam que a famosa mala-direta seria substituída pelo e-mail e os panfletos, folders, catálogos, tabloides de oferta, entre outros tantos, seriam substituídos s por banners, páginas na internet e catálogos eletrônicos.

Mas todo aquele frisson da internet esfriou com o “estouro da bolha”, quando várias empresas digitais deixaram de existir. Os anunciantes recuaram e começaram a retomar suas verbas para os meios físicos novamente. Aconteceu também algo inesperado, enquanto os especialistas acreditavam que o correio eletrônico acabaria com o convencional, o spam fez com que isso não acontecesse. Os usuários recebiam tantos e-mails com lixo eletrônico que a maioria daquelas propagandas impressas que estavam agora sendo enviadas digitalmente, iam direto para o lixo sem chance alguma de serem lidas. Os consumidores estavam preferindo receber uma mala-direta convencional, do que o e-mail.

Felizmente, um pouco antes desse movimento, existia outro com uma tecnologia que parecia promissora e que poderia alavancar vendas aos anunciantes: a mala-direta personalizada. Os fabricantes de impressoras digitais viram aí uma oportunidade de ouro, investindo em pesquisa para lançar equipamentos cada vez mais rápidos e com maior qualidade, capazes de gerar impressos cada vez mais personalizados.

A customização com dados variáveis ajudou a impressão digital em papel a se popularizar entre o mercado promocional, que viu uma maneira muito rápida de produzir uma infinidade de materiais de ponto de venda, marketing direto e promocional.

Panfletos, folders, cartazes, displays, catálogos, brochuras, poderiam ser produzidos na quantidade exata, sem desperdícios, na hora que fosse preciso. No começo ainda havia uma certa resistência em relação à qualidade dos impressos, mas hoje eles são equiparados à offset e em alguns casos até melhores. Impressoras que produzem quase 10.000 impressos 4 cores por hora são comuns no mercado, como a iGen 4 da Xerox, com formato 53×38, atende a todo tipo de demanda do mercado promocional.

Hoje a impressão com dados variáveis está tão difundida que todos já receberam uma mala-direta com seu nome e uma oferta direcionada, mesmo que aqui no Brasil a personalização full color ainda não esteja à altura do bolso do anunciante.

Quem se atualizou e investiu em equipamentos digitais para complementar sua linha offset, não tem do que reclamar. Com a economia em crescimento, os investimentos em impressos promocionais não param, e sem chance para um substituto digital, pelo menos num futuro próximo. É, ainda não chegou a hora do papel eletrônico!


Processos Gráficos – Impressão Digital (parte 2)

Voltamos com mais um pouco de impressão digital!

Já que existem tantos dispositivos que imprimem a partir de arquivos digitais e que podem ser enquadrados na categoria “Impressão Digital”, irei enumerá-los (se estiver esquecendo de algum me corrijam):

• Jato de tinta

Impressoras de mesa em geral

Pequena variedade de substratos, impressão em rgb, pouca qualidade

• Jato de tinta de grande formato (plotter)

Impressão em lona, papel, vinil

Tinta com grande durabilidade

Boa qualidade (para o tamanho)

• Jato de tinta para provas

Impressão em papéis especiais

Grande qualidade e reprodução de cores (inclusive Pantone)

Sistemas com até 10 cores

HP Designjet 130

Epson 7900/9900

• Jato de tinta e laser de alta velocidade

Impressão de documentos transacionais em cores ou p/b

Baixa qualidade, poucos substratos (papel em bobinas)

Até 1300 A4 4×4 por minuto

Xerox 650/1300

Océ Colorstream 3000

Ibm/Ricoh Infoprint 4100

• Laser eletrostático com toner em pó (1ª geração)

Cópias convencionais, impressoras laser de mesa e de escritório

Baixa qualidade, impressões somente em preto

• Laser eletrostático com toner em pó (2ª geração)

Impressoras e copiadoras comuns (de escritórios e copiadoras pequenas), muito brilho (já existem novas máquinas sem nenhum brilho) e papéis de gramatura média

Impressões coloridas

• Laser com toner em pó e transferência indireta (2ª1/2 geração)

Uma única passagem, melhor registro de cores, maior fidelidade da primeira a última cópia

Maior variedade de papéis (até 350g/m)

Até 100 páginas por minuto

Formatos até 33×48,7cm

Xerox Docucolor 8080; Xerox Color 1000

Canon C7010

• Laser com tinta líquida eletromagnética

Quatro ou mais passagens do papel; tintas especiais

Formatos de até 75x53cm

Velocidades de até 13800 A4 por hora

Baixo custo de impressão; alta produtividade

HP Indigo 10000; HP Indigo 7600

• Laser com toner em pó e transferência indireta (3ª geração)

Velocidades de até 2400 58x34cm por hora ou 160 A4 por minuto

Baixo custo de impressão; alta produtividade

Xerox Docucolor iGen4 EXP

Xeikon 6000

• Jato de tinta de alta velocidade e qualidade

Velocidades de até 5000 páginas por minuto (isso mesmo, por minuto!)

Baixo custo de impressão; alta produtividade

Tintas de boa durabilidade

Papéis em bobina mas com grande variedade

Agfa Dotrix Modular

HP T400

Xerox CiPress 500

Por hoje é só pessoal!


O futuro da impressão – parte 2

Um setor menos preocupado com a invasão digital é o de embalagens.

Afinal, você já imaginou algum produto que não venha em uma embalagem? Hortifrutis talvez. Mas até eles podem vir com um selo com a marca de seu produtor. E uma pasta de dente, um shampoo? Como você iria adquiri-los sem o recipiente? Pois é. Não existe futuro sem embalagens. Algumas são mais sofisticadas, como a de um relógio suíço, com uma luva de papel envolvendo uma caixa de madeira revestida de couro e internamente uma almofada de cetim acomodando o relógio, cobertos por um envelope de couro com o manual e a garantia. Outras são mais simples, somente uma caixa de papel Kraft com uma faca especial envolvendo o produto, ou um blister de papelão, ou mais simples ainda, um adesivo colado sobre o produto.

Algumas fazem parte da experiência do usuário, como as dos produtos Apple, com sua caixa branca de papel couchê impresso a 4 cores e revestido com laminação fosca acoplados em um papelão ondulado (para embalagens grandes) ou triplex 450g, perfeitamente encaixados tampa e fundo, com um berço de plástico injetado branco ou preto apresentando o produto logo que a tampa é retirada. Simples mas refinado, e com economia de materiais, pois são exatamente do tamanho do produto e alguma pequena folga.

Essa relativa tranquilidade dos produtores de embalagens não significa que o mercado está estagnado. Pelo contrário. O aumento no poder aquisitivo tem levado a um maior consumo e também um aumento na exigência pela qualidade. Em consequência os equipamentos para embalagens estão cada vez mais rápidos e automatizados.

A variedade de produtos também cresce muito, com mercados de nicho e regionais, surgindo a necessidade cada vez maior para embalagens em pequenas quantidades. Muitos produtos e pequenas quantidades são requisitos perfeitos para os sistemas de impressão digital para embalagens, que tem apresentado um crescimento muito grande nos últimos anos.

Existem diversos sistemas, como o da HP que utiliza ElectroInk e laser na impressão e bobina de papel (web-to-print), como a Indigo WS6000. Geralmente acompanhados de laminadoras ou UV em linha, desbobinadoras e corte/vinco. Sistemas baseados em jato de tinta também são bastante difundidos, como a Agfa Dotrix Modular, que pode ser colocado em linha com um sistema convencional de flexografia, formando o que é chamado de sistema hibrido.

Como se pode ver o futuro da impressão no mercado de embalagens é bem prospero e tem evoluído muito em qualidade, produtividade e diversidade, e lembrando, com muito papel. Pois é, quem disse que o papel iria acabar? Não os fabricantes de embalagens.


Processos Gráficos – Impressão Digital (parte 1)

Inicio aqui uma breve explanação sobre os processos de impressão. Pode parecer estranho, mas começarei de trás para frente.

Ao invés da Tipografia, o primeiro processo apresentado será o de impressão digital sobre papel, ou xerográfico, afinal o post anterior era sobre o Futuro da Impressão, não é mesmo?

A maneira como um “original” chega ao papel pode ser assim resumido, comparando o digital com o Offset tradicional:

quadro 01

Ok, e como funciona?  Como se forma a imagem no papel nesse processo?

quadro 02

Ah, mas nem todas as impressoras usam toner em pó, algumas usam tinta liquída!

Sim, é verdade, impressoras como as Xerox, Canon, Océ, usam toner em pó, mas as da linha Indigo da HP usam uma tinta liquída chamada Electroink, só que a transferência por diferentes cargas elétricas é igual. O que muda é que ao invés do toner em pó carregado eletricamente, é a tinta liquida que fica carregada. Por isso ela é chamada Electroink (na sua composição existem partículas metálicas). Ambos os sistemas usam a “eletrostática” para fazer a tinta ou o toner aderir ao papel. É exatamente aquela brincadeira de esfregar o pente na cabeça e depois aproximá-lo de um pedacinho de papel, que acaba “voando”até o pente.

O processo Xerográfico surgiu em 1938 com a Xerox Model A e a primeira copiadora comercial foi a Xerox 914 em 1949.

Xerox

Xerox Model A e 914

Resumindo, isso é o que chamo de impressão digital sobre papel, ou offset digital (termo que ficou comum pela alta qualidade das máquinas atuais). Mas ainda assim é difícil definir pois existem máquinas jato de tinta que não usam o processo a laser e que imprimem em papel, além daquelas de grandes formatos, e que também são relacionadas à impressão digital.

Mas esse será assunto para o próximo post…


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