Category Archives: Tipos de impressão

O futuro da impressão – parte 5

Depois de apresentar dois processos novos de impressão jato de tinta, que podem mudar o panorama da impressão no futuro, irei falar de um terceiro, a impressão Nanográfica.
Do mesmo criador da impressora Indigo, hoje em poder da HP, Benny Landa trouxe em 2012, na Drupa, sua linha de impressoras  nanográficas Landa. E isso é muito inovador.

Porque nanográfica? Porque usa uma gota de tamanho nanométrico.

Porque é inovador?

Como já falei em posts anteriores, acredito que a impressão jato de tinta seja o caminho para o futuro da impressão. E o principal motivo disso é porque utiliza tinta liquida, o que é semelhante à impressão offset. Mas os sistemas que apresentei ainda possuíam desvantagens. Por exemplo, a necessidade de se tratar a mídia, pois em altas velocidades a tinta é “expelida” facilmente do papel e dependendo da mídia, a tinta não “gruda”. É necessário também o aquecimento do papel para a secagem da tinta, ocasionando baixa qualidade de impressão.

Outra desvantagem seria o alto ganho de ponto, devido ao fato da tinta, muito líquida, penetrar nas fibras do papel e se dispersar.

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Porém, o novo processo desenvolvido pelo Benny Landa, resolveu esses problemas imprimindo numa velha conhecida dos processos de impressão à laser, a “belt” de transferência. As cabeças de impressão ejetam as nanogotas nessa belt, e ao invés da tinta ser aquecida depois de impressa, ela é esquentada antes, na belt. Com o aquecimento a água, que é usada somente como veículo, vai evaporando. Nesse momento a “nanoink” se transforma num finíssimo filme altamente adesivo, que será posteriormente transferido para o papel, frio e sem tratamento. Por essa razão pode ser usado qualquer tipo de papel e até mesmo plásticos, pois essa impressão em formato de fino filme, é colada no papel, sem problemas de riscos ou descolagens.

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Devido à finíssima espessura dessa impressão no papel, o resultado visual é muito semelhante ao da impressão offset, inclusive na preservação das características originais da mídia, mantendo o brilho se o papel for brilho, ou ficando fosco se o papel for fosco.

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Dot

Geralmente as impressoras inkjet ou tem qualidade, ou tem velocidade.

As Landas tem os dois. Dependendo da impressora, pode chegar à 12.000 folhas por hora no formato 530x750mm. Sim, não escrevi errado, o formato é o meia folha, mas não é o formato máximo das impressoras Landa, existe ainda uma folha inteira, no formato 1050×750, fazendo 6500 folhas por hora. E todas vem com impressão frente e verso automático como padrão.

E para provar que realmente essas impressoras querem ser as “Offset Digitais” seus mecanismos de transporte de papel vem de máquinas Offset, e a Landa inclusive está licenciando a tecnologia para que os fabricantes de máquinas Offset (a Komori é uma) possam produzir suas próprias máquinas.

Mas e o custo? Segundo o fabricante, será baixíssimo. E preencherá um abismo entre os valores da impressão digital para tiragens maiores e as tiragens pequenas de Offset.

Mas nem tudo são flores. As máquinas ainda estão em fase de testes, com previsão de entrega das primeiras unidades somente no final deste ano. Mas como Benny Landa exemplificou, quando lançou a Indigo em 1992, as máquinas ainda não estavam prontas ocasionando diversos problemas e uma má reputação, que só foi resolvida com a venda para a HP, que investiu massivamente em desenvolvimento e conseguiu ter uma linha de máquinas robustas e confiáveis. Agora, Benny quer usar o tempo que for necessário para que as máquinas produzidas sejam 100% confiáveis e com a melhor qualidade possível.

Tomara que esse tempo seja breve!

 

Mais informações: http://www.landanano.com/


Processos Gráficos – Offset (parte 2)

Vamos à continuação da nossa conversa sobre impressão Offset.

Como disse no post anterior, a Litografia foi a precursora da impressão Offset, mas como isso ocorreu?

Em 1891 chapas de alumínio para a litografia foram patenteadas, representando um grande avanço pois eram muito mais leves e duráveis que os blocos de pedra, difíceis de transportar e armazenar. A chapa de alumínio permitia também uma granulação mais fina e consequentemente uma maior qualidade de impressão.

A partir da invenção dos processos fotográficos, a impressão também passou por grandes avanços. A fotolitografia e a fotomultiplicadora foram inventadas, o que permitia transpor fotografias para as chapas de impressão. Foi possível obter mais precisão e registro absoluto que seriam essenciais nas separações de cores.

Algumas outras evoluções no processo químico foram incorporadas, permitindo chapas com muito mais qualidade e possibilitando o processo indireto (a litografia era direta) no qual a imagem da chapa entintada, que continha tanto as soluções de água quanto de óleo (tinta), era transferida para um rolo de borracha (blanqueta) e esse rolo é que entrava em contato com o papel, e não a chapa diretamente como na litografia. Isso permitiu uma durabilidade maior da chapa, que não sofria a abrasão constante do papel, muito mais áspero que a borracha.

Outra modificação que se tornou possível veio através do fato da chapa de alumínio ser flexível. Concluiu-se que seria mais produtivo se a chapa formasse um cilindro, girando em torno do próprio eixo, aumentando assim a velocidade do entintamento e diminuindo as dimensões da impressora. A parte transferidora (blanqueta) também em formato cilíndrico, assim como todo o transporte de tinta e papel, possibilitou uma velocidade muito grande de impressão e máquinas compactas.

Mas tudo isso teria sido em vão se não fosse inventado o processo de separação de cores, que permitiu a impressão de fotografias e imagens coloridas numa gama infinita de tonalidades, não sendo mais limitadas às cores fixas. Anteriormente para cada cor era necessária uma chapa (como o que hoje é a escala Pantone). Com esse processo foi possível ter milhões de cores em um mesmo impresso.

E isso é assunto para o próximo post, até lá pessoal!


Processos Gráficos – Offset (parte 1 – Litografia)

Começaremos aqui nossa série sobre processos de impressão, onde iremos apresentar as mais variadas técnicas como Offset, Rotogravura, Flexografia, Tipografia e para começar, Litografia.

Para quem conhece um pouco, sabe que esse sistema não existe mais comercialmente, estando reservado apenas às manifestações artísticas.

Então porque falar sobre algo que representa uma pequeníssima parcela no vasto mundo atual das artes gráficas?

Porque ele é o precursor do tão famoso e difundido processo de impressão chamado Offset.

Litografia, do Grego lithos, pedra e grafo, escrevo, foi inventada por Alois Senenfelder, entre os anos de 1796 e 1798, na Alemanha, buscando um meio de impressão para seus textos e partituras.

O sistema de impressão é chamado “planográfica direta” (não tem diferença de relevo), cujo princípio básico é a incompatibilidade entre a água e o óleo, ficando as zonas a serem impressas “engorduradas”atraindo a tinta e repelindo a água, e as áreas não-impressoras fazendo o contrário (talvez você já tenha ouvido o termo “solução de molha” nas gráficas).

Eram utilizadas pedras calcárias com espessura de 5 a 10cm, onde as áreas a serem impressas eram tratadas quimicamente a fim de ficarem porosas e reterem as substâncias gordurosas (tintas), e as não-impressoras também recebiam tratamento para reter água.

A obra podia ser realizada diretamente sobre a pedra ou decalcada sobre ela. Depois de pronta, a pedra recebia uma fina camada de água e após, uma de tinta, para depois entrar em contato com o papel e transferir a obra.

Prensa litográfica criada por Senenfelder.

Era possível fazer imagens coloridas, utilizando-se mais de uma matriz (pedra), sendo facilmente encontradas reproduções com mais de 8 cores.

No Brasil, a Litografia existe desde o final do século XIV, e era utilizado principalmente para rótulos de embalagens e mesclada com a tipografia para produzir jornais e revistas.

No próximo post sobre processos gráficos iremos descobrir como esse sistema evoluiu para o Offset.

Até lá e boa Páscoa!


Processos Gráficos – Impressão Digital (parte 2)

Voltamos com mais um pouco de impressão digital!

Já que existem tantos dispositivos que imprimem a partir de arquivos digitais e que podem ser enquadrados na categoria “Impressão Digital”, irei enumerá-los (se estiver esquecendo de algum me corrijam):

• Jato de tinta

Impressoras de mesa em geral

Pequena variedade de substratos, impressão em rgb, pouca qualidade

• Jato de tinta de grande formato (plotter)

Impressão em lona, papel, vinil

Tinta com grande durabilidade

Boa qualidade (para o tamanho)

• Jato de tinta para provas

Impressão em papéis especiais

Grande qualidade e reprodução de cores (inclusive Pantone)

Sistemas com até 10 cores

HP Designjet 130

Epson 7900/9900

• Jato de tinta e laser de alta velocidade

Impressão de documentos transacionais em cores ou p/b

Baixa qualidade, poucos substratos (papel em bobinas)

Até 1300 A4 4×4 por minuto

Xerox 650/1300

Océ Colorstream 3000

Ibm/Ricoh Infoprint 4100

• Laser eletrostático com toner em pó (1ª geração)

Cópias convencionais, impressoras laser de mesa e de escritório

Baixa qualidade, impressões somente em preto

• Laser eletrostático com toner em pó (2ª geração)

Impressoras e copiadoras comuns (de escritórios e copiadoras pequenas), muito brilho (já existem novas máquinas sem nenhum brilho) e papéis de gramatura média

Impressões coloridas

• Laser com toner em pó e transferência indireta (2ª1/2 geração)

Uma única passagem, melhor registro de cores, maior fidelidade da primeira a última cópia

Maior variedade de papéis (até 350g/m)

Até 100 páginas por minuto

Formatos até 33×48,7cm

Xerox Docucolor 8080; Xerox Color 1000

Canon C7010

• Laser com tinta líquida eletromagnética

Quatro ou mais passagens do papel; tintas especiais

Formatos de até 75x53cm

Velocidades de até 13800 A4 por hora

Baixo custo de impressão; alta produtividade

HP Indigo 10000; HP Indigo 7600

• Laser com toner em pó e transferência indireta (3ª geração)

Velocidades de até 2400 58x34cm por hora ou 160 A4 por minuto

Baixo custo de impressão; alta produtividade

Xerox Docucolor iGen4 EXP

Xeikon 6000

• Jato de tinta de alta velocidade e qualidade

Velocidades de até 5000 páginas por minuto (isso mesmo, por minuto!)

Baixo custo de impressão; alta produtividade

Tintas de boa durabilidade

Papéis em bobina mas com grande variedade

Agfa Dotrix Modular

HP T400

Xerox CiPress 500

Por hoje é só pessoal!


Processos Gráficos – Impressão Digital (parte 1)

Inicio aqui uma breve explanação sobre os processos de impressão. Pode parecer estranho, mas começarei de trás para frente.

Ao invés da Tipografia, o primeiro processo apresentado será o de impressão digital sobre papel, ou xerográfico, afinal o post anterior era sobre o Futuro da Impressão, não é mesmo?

A maneira como um “original” chega ao papel pode ser assim resumido, comparando o digital com o Offset tradicional:

quadro 01

Ok, e como funciona?  Como se forma a imagem no papel nesse processo?

quadro 02

Ah, mas nem todas as impressoras usam toner em pó, algumas usam tinta liquída!

Sim, é verdade, impressoras como as Xerox, Canon, Océ, usam toner em pó, mas as da linha Indigo da HP usam uma tinta liquída chamada Electroink, só que a transferência por diferentes cargas elétricas é igual. O que muda é que ao invés do toner em pó carregado eletricamente, é a tinta liquida que fica carregada. Por isso ela é chamada Electroink (na sua composição existem partículas metálicas). Ambos os sistemas usam a “eletrostática” para fazer a tinta ou o toner aderir ao papel. É exatamente aquela brincadeira de esfregar o pente na cabeça e depois aproximá-lo de um pedacinho de papel, que acaba “voando”até o pente.

O processo Xerográfico surgiu em 1938 com a Xerox Model A e a primeira copiadora comercial foi a Xerox 914 em 1949.

Xerox

Xerox Model A e 914

Resumindo, isso é o que chamo de impressão digital sobre papel, ou offset digital (termo que ficou comum pela alta qualidade das máquinas atuais). Mas ainda assim é difícil definir pois existem máquinas jato de tinta que não usam o processo a laser e que imprimem em papel, além daquelas de grandes formatos, e que também são relacionadas à impressão digital.

Mas esse será assunto para o próximo post…


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