Author Archives: Hildevar M. Junior

O futuro da impressão – parte 5

Depois de apresentar dois processos novos de impressão jato de tinta, que podem mudar o panorama da impressão no futuro, irei falar de um terceiro, a impressão Nanográfica.
Do mesmo criador da impressora Indigo, hoje em poder da HP, Benny Landa trouxe em 2012, na Drupa, sua linha de impressoras  nanográficas Landa. E isso é muito inovador.

Porque nanográfica? Porque usa uma gota de tamanho nanométrico.

Porque é inovador?

Como já falei em posts anteriores, acredito que a impressão jato de tinta seja o caminho para o futuro da impressão. E o principal motivo disso é porque utiliza tinta liquida, o que é semelhante à impressão offset. Mas os sistemas que apresentei ainda possuíam desvantagens. Por exemplo, a necessidade de se tratar a mídia, pois em altas velocidades a tinta é “expelida” facilmente do papel e dependendo da mídia, a tinta não “gruda”. É necessário também o aquecimento do papel para a secagem da tinta, ocasionando baixa qualidade de impressão.

Outra desvantagem seria o alto ganho de ponto, devido ao fato da tinta, muito líquida, penetrar nas fibras do papel e se dispersar.

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Porém, o novo processo desenvolvido pelo Benny Landa, resolveu esses problemas imprimindo numa velha conhecida dos processos de impressão à laser, a “belt” de transferência. As cabeças de impressão ejetam as nanogotas nessa belt, e ao invés da tinta ser aquecida depois de impressa, ela é esquentada antes, na belt. Com o aquecimento a água, que é usada somente como veículo, vai evaporando. Nesse momento a “nanoink” se transforma num finíssimo filme altamente adesivo, que será posteriormente transferido para o papel, frio e sem tratamento. Por essa razão pode ser usado qualquer tipo de papel e até mesmo plásticos, pois essa impressão em formato de fino filme, é colada no papel, sem problemas de riscos ou descolagens.

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Devido à finíssima espessura dessa impressão no papel, o resultado visual é muito semelhante ao da impressão offset, inclusive na preservação das características originais da mídia, mantendo o brilho se o papel for brilho, ou ficando fosco se o papel for fosco.

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Dot

Geralmente as impressoras inkjet ou tem qualidade, ou tem velocidade.

As Landas tem os dois. Dependendo da impressora, pode chegar à 12.000 folhas por hora no formato 530x750mm. Sim, não escrevi errado, o formato é o meia folha, mas não é o formato máximo das impressoras Landa, existe ainda uma folha inteira, no formato 1050×750, fazendo 6500 folhas por hora. E todas vem com impressão frente e verso automático como padrão.

E para provar que realmente essas impressoras querem ser as “Offset Digitais” seus mecanismos de transporte de papel vem de máquinas Offset, e a Landa inclusive está licenciando a tecnologia para que os fabricantes de máquinas Offset (a Komori é uma) possam produzir suas próprias máquinas.

Mas e o custo? Segundo o fabricante, será baixíssimo. E preencherá um abismo entre os valores da impressão digital para tiragens maiores e as tiragens pequenas de Offset.

Mas nem tudo são flores. As máquinas ainda estão em fase de testes, com previsão de entrega das primeiras unidades somente no final deste ano. Mas como Benny Landa exemplificou, quando lançou a Indigo em 1992, as máquinas ainda não estavam prontas ocasionando diversos problemas e uma má reputação, que só foi resolvida com a venda para a HP, que investiu massivamente em desenvolvimento e conseguiu ter uma linha de máquinas robustas e confiáveis. Agora, Benny quer usar o tempo que for necessário para que as máquinas produzidas sejam 100% confiáveis e com a melhor qualidade possível.

Tomara que esse tempo seja breve!

 

Mais informações: http://www.landanano.com/


O futuro da impressão – parte 4

Continuando esse assunto, trago uma outra tendência de impressão digital para debate.

Como já havia postado anteriormente, temos hoje uma corrida dos grandes fabricantes de impressoras digitais rumo à tiragens e velocidades cada vez maiores, visando competir ou ser uma alternativa à impressão Offset.

Primeiro expus a impressão jato de tinta em bobinas, uma espécie de “Rotativa Digital”, que traz altíssima velocidade com larguras de impressão nos mesmos padrões das impressoras Rotativas Heatset (aquelas que imprimem jornais e revistas).

Agora, fabricantes como Xanté e Xerox estão lançando impressoras jato de tinta com uma parte da tecnologia das “Rotativas Digitais” que é a linha fixa de cabeças de impressão,  possibilitando a impressão em uma única passagem, ao invés daquele vai e volta tradicional das impressoras jato de tinta convencionais. Junte a isso uma altíssima resolução de 1600 dpis reais, e o resultado é um cartaz em papel fotográfico tamanho A1 (84,1×59,4cm) impresso em 5 segundos! Isso mesmo, essas impressoras são capazes de imprimir 15cm por segundo, isso com uma largura 1,06m.

Para mim o ponto mais interessante dessas tecnologias é a largura de impressão, que na impressão com sistemas à laser não passa de 38cm (Xerox iGen4) ou 50cm (HP Indigo 10000), e que sempre acreditei ser o maior limitador para concorrer com a impressão Offset.

Mais informações nos links abaixo:

http://www.myprintresource.com/product/10364644/xante-excelagraphix-4200

http://www.myprintresource.com/product/10975981/xerox-corporation-wide-format-ijp-2000

http://youtu.be/s52vhnqFBLU


Introdução ao Gerenciamento de Cores

Finalmente daremos continuidade à nossa série sobre processos gráficos.

Expliquei anteriormente como se forma a cor nos processos de impressão. Agora precisamos entender como essas cores são processadas entre os dispositivos digitais (camera fotográfica, monitor, scanner e ctp) e impressas.

Sabemos então que a cor chega nos nossos olhos através da reflexão da luz RGB, que tem uma parte absorvida pelas tintas impressas no papel. Essas tintas são impressas através de pequenos pontos para cada cor, formando uma retícula.

Mas aí vem a pergunta, como o meu arquivo digital vira um ponto de retícula? E como um arquivo RGB pode virar pontos separados em cores CMYK?

Como foi explicado, para cada cor RGB existe uma oposta que serve como um filtro da luz solar, causando a reflexão das suas complementares e assim enxergamos a cor. Portanto para o Vermelho (R) usamos a oposta Cyan (C), para o Verde (G) a oposta Magenta (M), Azul (B) oposta Amarelo (Y), e o Preto (K) para reforçar o preto gerado pelas outras cores e para reproduzir os textos. Para cada valor de RGB que vai de 0 a 255 (onde podemos comparar com uma lâmpada, sendo 0 para apagada e 255 para totalmente acessa) existirá um tamanho de ponto em CMYK (que tem sua gradação relativa à área que ele ocupa no papel, onde 50% quer dizer que é um ponto que ocupa 50% da área que ele poderia ocupar se tivesse 100%).

Separação de Cores com UCR

Temos que entender que para fazer essa conversão existem várias configurações que podem ser escolhidas, e que podem alterar drasticamente o resultado final impresso. Uma dessas possibilidades é justamente na escolha da geração do preto, que como vimos anteriormente poderia ser reproduzido pelas cores CMY, mas pela baixa qualidade das tintas é utilizada também uma cor adicional, o Preto.

Separação de cores feita em Photoshop utilizando-se o método UCR, com 320% de carga máxima e limite do Preto em 85%. Ao centro, a sobreposição das tintas Ciano, Magenta e Yellow. À direita, o Preto gerado pela separação.

Separação de Cores com GCR

Nas duas fotos acima é possível ver a influência dos diferentes níveis de GCR oferecidos pelo Photoshop ao fazer uma conversão RGB-CMYK. Na foto superior, a separação foi produzida com o Photoshop utilizando o método GCR leve. Na de baixo, a mesma imagem convertida com separação em GCR alto. Note a significativa diferença na quantidade de preto utilizada nos tons de pele. A carga total de tinta em ambas foi ajustada para 320% e limite do Preto mantido em 85%.

Outro fator que deve ser levado em consideração na conversão é o ganho de ponto. Veja como a retícula offset se comporta em diferentes tipos de papéis:
Como um ponto de 50% de tinta não ficará com esses 50% quando impressos, não dá simplesmente para converter um ponto de nível 128 de vermelho e esperar que com pontos Magenta e Amarelo de tamanho 50% tenhamos exatamente um vermelho igual o de nível 128 exibido em um monitor. O ganho de ponto acontece porque a tinta acaba se espalhando pelo papel, um efeito fácil de visualizar fazendo-se uma experiência doméstica: pegue um pedaço de papel higiênico e pingue uma gota de tinta nanquim ou de caneta Bic mesmo. Essa gota que era pequena, espalhará tanto no papel que ocupará uma área de mais de 5 vezes seu tamanho original.
Portanto teremos que “avisar” ao software em que estaremos convertendo o arquivo de RGB para CMYK, de que há esse ganho de ponto, dizer qual o nível, em que porcentagens de tinta ele ocorre mais ou menos, enfim, fazer uma curva de compensação:
Veja os diferentes ganhos de pontos, em diferentes papéis e processos:
Hoje em dia o uso dessas curvas de compensação está muito mais difundido do que no passado. Você já deve ter ouvido falar nelas, mas na sua forma atual, o famoso perfil “ICC” (de International Color Consortium). O ICC determinou um padrão de arquivo digital que fosse lido em todos tipos de computadores e softwares gráficos. No começo, tínhamos que configurar manualmente todos os itens característicos da impressão, até a cor Lab de cada tinta. Hoje temos perfis produzidos dentro do padrão ISO da cor nos sistemas de impressão, o 12647-2, que facilitou muito a vida das gráficas no mundo todo. Veja um exemplo dos perfis de cores ICC encontrados no pacote Adobe CS:
Com esses perfis podemos fazer um “Gerenciamento de Cores” eficiente, onde iremos dizer aos nossos dispositivos (monitor, prova de impressão digital, software gráfico, ctp, etc) qual cor queremos chegar (por exemplo, impressão Offset plana em papel couchê, onde usaremos o ICC Coated Fogra 27), e que padrão de cor nossa imagem original está usando (RGB, ICC sRGB), aí é só deixar o software fazer a “mágica”!!! Seria bom se fosse só isso, mas ainda existem alguns detalhes para que tudo funcione corretamente e possamos ver na tela do nosso computador ou prova digital um retrato fiel do que será impresso em Offset, mas esses detalhes deixaremos para o próximo post, até lá!

Gerenciamento de cores

Pessoal,

Desculpem pela ausência temporária, mas estou com um projeto novo que em breve vocês saberão.

Nosso próximo assunto será Gerenciamento de Cores, mas infelizmente ficará para semana que vem, devido à pequenos problemas técnicos.

Obrigado pela compreensão e até a próxima!


A formação das cores – parte 2

Vamos à segunda parte do artigo sobre formação das cores na impressão Offset.

Depois de saber como funciona a reflexão e absorção das cores no papel é importante saber o processo de separação de cores para impressão. Veja como funciona:

Estão lembrados da história da tinta preta? Vejam uma imagem que mostra bem a falta que o preto pode fazer em uma foto:

Além das 4 cores cores foi desenvolvido também um padrão de pontos que permitiria uma variedade de tons para cada uma das chapas:

A imagem colorida seria, no momento da separação, transformada em 4 outras imagens preto e branco, formada por pequenos pontos que iriam definir as áreas claras e escuras.

Mas aí veio um problema: a sobreposição desses pontos na hora da impressão poderia causar um efeito visual desagradável, o Moiré (veja a seguir a primeira imagem sem Moiré, e a segunda com).

Para solucionar esse problema colocaram cada uma das tintas com seus pontos alinhados em ângulos diferentes:

E o resultado final ficou assim:

Espero ter elucidado as dúvidas, mais do que posso ter confudido, rsrsrs, mas esse é um assunto de suma importância que todos que trabalham ou gostam da produção gráfica deveriam saber bem.

Obrigado pela leitura e até a próxima!


A formação das cores – parte 1

Retomaremos a série sobre os tipos de impressão falando sobre como se formam as cores na impressão Offset.

Primeiramente temos que entender como a cor chega nos nossos olhos.

A luz do sol (e de qualquer objeto que emite luz) pode ser absorvida, refletida, transmitida e refratada. A refração é quando, através de um objeto refrator como um prisma, a luz é decomposta ou dividida para pontos diferentes. A transmissão acontece em vidros por exemplo, quando nenhuma parte da luz é perdida (caso hipotético). E o que nos interessa aqui, a absorção e a reflexão.

A luz que vem do sol ou qualquer fonte de luz branca, é composta por todo o espectro de luz visível pelos nossos olhos.

O nosso olho possui células nervosas especializadas em enxergar cores, chamados Cones. Quase dois terços dessas células são de responsáveis por enxergar a faixa de baixa frequência, os vermelhos, um terço enxerga a faixa média, os verdes, e apenas 2% consegue enxergar a alta frequência, os azuis. Por essa razão, e por termos uma distribuição de dois extremos, vermelho e azul, e uma faixa média, verde, é que foi criado o padrão RGB. Podemos ver como as cores principais formam outras secundárias na síntese aditiva, abaixo:

E nós só enxergamos alguma coisa quando a luz chega aos nossos olhos. Essa luz pode vir diretamente de uma fonte emissora, como o sol, uma lanterna, um monitor ou uma tv, ou indiretamente, refletida por uma parede ou um papel.

Mais duas ilustrações:

A geração das cores na reflexão é chamada de síntese subtrativa, onde as tintas impressas servem como filtros absorvendo parte da luz, subtraindo-as. Portanto, para enxergarmos uma cor Cyan, por exemplo, a tinta Cyan deverá absorver a sua cor complementar (veja o terceiro quadro, a complementar é a cor oposta no gráfico) que é o Vermelho. Um exemplo de como funciona a absorção e reflexão da luz no papel entintado:

Ou seja, para as cores primárias (RGB) serem visualizadas no papel, devem existir tintas que filtram suas complementares. As complementares do Vermelho são o Magenta e o Amarelo, as tintas que reproduzem o Magenta absorvem o Verde, e o Amarelo absorvem o Azul. Já as complementares do Azul são o Cyan e o Magenta, e do Verde, Cyan e Amarelo. Portanto para reproduzirmos o RGB precisamos do CMY para filtrar a luz branca e refletir suas opostas.

Teoricamente, com as tintas Cyan, Magenta e Amarelo, conseguiria-se imprimir todas as cores do espectro, porém quando estavam sendo feitos os estudos da evolução da litografia (veja o post sobre litografia e offset) descobriu-se que o preto estava ficando marrom. O preto é a ausência de luz e para ser obtido as tintas tem que absorver todas as cores, ou seja, cada uma das cores “filtrantes” Cyan, Magenta e Amarelo, deveriam bloquear totalmente suas opostas, mas devido à baixa qualidade das tintas (que deveriam também ser economicamente viáveis) isso não estava acontecendo, gerando ao invés do preto, marrom. Existia outro problema relacionado ao preto. A maior parte dos textos eram impressas na cor preta, e imprimi-los usando 3 cores era quase impossível na época, e até hoje, pois exigiria um registro impecável, além de uma variação entre as cores que poderia gerar textos marrom esverdeado, vermelhos, azuis, etc. Conclui-se que a melhor saída era acrescentar mais uma cor na trilogia CMY: o Preto. Com isso os textos poderiam ser impressos em preto puro, e as imagens teriam melhor contraste e definição. Nasceu aí o famoso CMYK, que todos conhecem.

Vamos dar um descanso para a cabecinha de vocês e retornaremos com esse assunto semana que vem!


O poder do pensamento negativo

Iremos dar uma pausa no assunto de formação de cores para aproveitar a Drupa 2012 que está fervilhando de novas tecnologias, como as rotativas digitais, e falar um pouco sobre uma pesquisa sendo feita pela R.R. Donnelley, o maior conglomerado gráfico “in the world!” (como diria a Hyundai).

Um texto sobre essa pesquisa (em inglês) pode ser lido aqui, mas irei traduzir alguns trechos interessantes a seguir:

“E se em vez de utilizar cabeças de impressão jato de tinta para jogar tinta elas fossem usadas para aplicar uma substância resistente à tinta¹ que irá subtrair parte de uma imagem produzida por impressão Offset (como um bloco de luz em negativo fotográfico), enquanto estiver sendo impressa?

Seria combinar os benefícios de custos econômicos da Offset com dados variáveis. Tal desenvolvimento pode transformar completamente o mercado de impressão.

Pode soar como ficção científica, mas de acordo com a RR Donnelley (RRD), em breve será realidade e a empresa começará a produzir malas-diretas usando o processo ainda este ano.

RRD chama esse processo de Apollo e é parte do acordo da empresa com a KBA. Na verdade, os detalhes sobre Apollo são as notícias mais significativas a surgirem a partir deste anúncio, e dos recentes desenvolvimentos digitais de grandes fabricantes de impressoras Offset este é o mais importante porque vai além da distribuição e aborda o desenvolvimento da tecnologia….

…Apollo é importante porque trabalha com tintas convencionais, papéis e impressoras. Ao invés de tentar jogar tintas de jato convencionais, que são muito viscosas para ser aplicado por cabeças de impressão, ou usar tintas especiais otimizados com seus próprios custos e problemas de aplicação, a empresa desenvolveu um fluido que trabalha com o processo Offset para permitir imagem variável. Ele funciona como uma máscara aplicada ao papel um pouco antes da unidade de impressão. A cabeça de impressão a jato de tinta aplica uma substância fluida oleofóbica – que é repelente de óleo – para o papel, evitando receber a tinta em áreas onde não é necessária. Em outros aspectos, a produção Offset é normal…

…As implicações são significativas. Produzir dados variáveis utilizando papéis e tintas padrão em uma impressora existente heatset offset sopra a economia de outros processos digitais fora da água. Ele também permite a RRD atender seus objetivos estratégicos na impressão digital. Estes são para maximizar o tempo de vida e retorno sobre o investimento de seus sistemas de transporte de papel (offset convencionais e linhas de acabamento), tendo a opção de atualizar aqueles com as mais recentes tecnologias de impressão digital quantas vezes é apropriado….

…Mesmo com base em informações limitadas divulgada a data, este é de longe o mais significativo dos desenvolvimentos digitais anunciadas pelas gigantes alemãs de impressão offset, devido ao processo inovador de desenvolvimento tecnológico que é parte dela.”

¹ Vimos isso nesse post

Eu já iria mais além, no que eu chamo de impressão híbrida, computer-to-press de verdade, e colocaria esses jatos-de-tinta para imprimir com essa substância oleofóbica direto na chapa (que não teria nada gravado), funcionando de maneira similar às impressoras lasers e seus “cilindros de imagem”, onde a imagem seria formada a cada nova entrada de papel diretamente nesse cilindro, para depois ter a tinta offset aplicada e transferida para a blanqueta. Daí teríamos um custo de offset (um pouquinho maior em virtude da cabeça jato-de-tinta e da substância oleofóbica) com o benefício da impressão digital, totalmente sob demanda e customizável, podendo se imprimir one-to-one.

Será que é sonho ou o futuro?


Processos Gráficos – Offset (parte 2)

Vamos à continuação da nossa conversa sobre impressão Offset.

Como disse no post anterior, a Litografia foi a precursora da impressão Offset, mas como isso ocorreu?

Em 1891 chapas de alumínio para a litografia foram patenteadas, representando um grande avanço pois eram muito mais leves e duráveis que os blocos de pedra, difíceis de transportar e armazenar. A chapa de alumínio permitia também uma granulação mais fina e consequentemente uma maior qualidade de impressão.

A partir da invenção dos processos fotográficos, a impressão também passou por grandes avanços. A fotolitografia e a fotomultiplicadora foram inventadas, o que permitia transpor fotografias para as chapas de impressão. Foi possível obter mais precisão e registro absoluto que seriam essenciais nas separações de cores.

Algumas outras evoluções no processo químico foram incorporadas, permitindo chapas com muito mais qualidade e possibilitando o processo indireto (a litografia era direta) no qual a imagem da chapa entintada, que continha tanto as soluções de água quanto de óleo (tinta), era transferida para um rolo de borracha (blanqueta) e esse rolo é que entrava em contato com o papel, e não a chapa diretamente como na litografia. Isso permitiu uma durabilidade maior da chapa, que não sofria a abrasão constante do papel, muito mais áspero que a borracha.

Outra modificação que se tornou possível veio através do fato da chapa de alumínio ser flexível. Concluiu-se que seria mais produtivo se a chapa formasse um cilindro, girando em torno do próprio eixo, aumentando assim a velocidade do entintamento e diminuindo as dimensões da impressora. A parte transferidora (blanqueta) também em formato cilíndrico, assim como todo o transporte de tinta e papel, possibilitou uma velocidade muito grande de impressão e máquinas compactas.

Mas tudo isso teria sido em vão se não fosse inventado o processo de separação de cores, que permitiu a impressão de fotografias e imagens coloridas numa gama infinita de tonalidades, não sendo mais limitadas às cores fixas. Anteriormente para cada cor era necessária uma chapa (como o que hoje é a escala Pantone). Com esse processo foi possível ter milhões de cores em um mesmo impresso.

E isso é assunto para o próximo post, até lá pessoal!


Processos Gráficos – Offset (parte 1 – Litografia)

Começaremos aqui nossa série sobre processos de impressão, onde iremos apresentar as mais variadas técnicas como Offset, Rotogravura, Flexografia, Tipografia e para começar, Litografia.

Para quem conhece um pouco, sabe que esse sistema não existe mais comercialmente, estando reservado apenas às manifestações artísticas.

Então porque falar sobre algo que representa uma pequeníssima parcela no vasto mundo atual das artes gráficas?

Porque ele é o precursor do tão famoso e difundido processo de impressão chamado Offset.

Litografia, do Grego lithos, pedra e grafo, escrevo, foi inventada por Alois Senenfelder, entre os anos de 1796 e 1798, na Alemanha, buscando um meio de impressão para seus textos e partituras.

O sistema de impressão é chamado “planográfica direta” (não tem diferença de relevo), cujo princípio básico é a incompatibilidade entre a água e o óleo, ficando as zonas a serem impressas “engorduradas”atraindo a tinta e repelindo a água, e as áreas não-impressoras fazendo o contrário (talvez você já tenha ouvido o termo “solução de molha” nas gráficas).

Eram utilizadas pedras calcárias com espessura de 5 a 10cm, onde as áreas a serem impressas eram tratadas quimicamente a fim de ficarem porosas e reterem as substâncias gordurosas (tintas), e as não-impressoras também recebiam tratamento para reter água.

A obra podia ser realizada diretamente sobre a pedra ou decalcada sobre ela. Depois de pronta, a pedra recebia uma fina camada de água e após, uma de tinta, para depois entrar em contato com o papel e transferir a obra.

Prensa litográfica criada por Senenfelder.

Era possível fazer imagens coloridas, utilizando-se mais de uma matriz (pedra), sendo facilmente encontradas reproduções com mais de 8 cores.

No Brasil, a Litografia existe desde o final do século XIV, e era utilizado principalmente para rótulos de embalagens e mesclada com a tipografia para produzir jornais e revistas.

No próximo post sobre processos gráficos iremos descobrir como esse sistema evoluiu para o Offset.

Até lá e boa Páscoa!


O futuro da impressão – parte 3

Na virada do século vinte a computação pessoal já não era coisa de ficção científica e as comunicações, avançadíssimas com a internet e telefonia móvel.

Nessa época os impressores do mercado promocional sentiram um friozinho na barriga, acreditavam que a famosa mala-direta seria substituída pelo e-mail e os panfletos, folders, catálogos, tabloides de oferta, entre outros tantos, seriam substituídos s por banners, páginas na internet e catálogos eletrônicos.

Mas todo aquele frisson da internet esfriou com o “estouro da bolha”, quando várias empresas digitais deixaram de existir. Os anunciantes recuaram e começaram a retomar suas verbas para os meios físicos novamente. Aconteceu também algo inesperado, enquanto os especialistas acreditavam que o correio eletrônico acabaria com o convencional, o spam fez com que isso não acontecesse. Os usuários recebiam tantos e-mails com lixo eletrônico que a maioria daquelas propagandas impressas que estavam agora sendo enviadas digitalmente, iam direto para o lixo sem chance alguma de serem lidas. Os consumidores estavam preferindo receber uma mala-direta convencional, do que o e-mail.

Felizmente, um pouco antes desse movimento, existia outro com uma tecnologia que parecia promissora e que poderia alavancar vendas aos anunciantes: a mala-direta personalizada. Os fabricantes de impressoras digitais viram aí uma oportunidade de ouro, investindo em pesquisa para lançar equipamentos cada vez mais rápidos e com maior qualidade, capazes de gerar impressos cada vez mais personalizados.

A customização com dados variáveis ajudou a impressão digital em papel a se popularizar entre o mercado promocional, que viu uma maneira muito rápida de produzir uma infinidade de materiais de ponto de venda, marketing direto e promocional.

Panfletos, folders, cartazes, displays, catálogos, brochuras, poderiam ser produzidos na quantidade exata, sem desperdícios, na hora que fosse preciso. No começo ainda havia uma certa resistência em relação à qualidade dos impressos, mas hoje eles são equiparados à offset e em alguns casos até melhores. Impressoras que produzem quase 10.000 impressos 4 cores por hora são comuns no mercado, como a iGen 4 da Xerox, com formato 53×38, atende a todo tipo de demanda do mercado promocional.

Hoje a impressão com dados variáveis está tão difundida que todos já receberam uma mala-direta com seu nome e uma oferta direcionada, mesmo que aqui no Brasil a personalização full color ainda não esteja à altura do bolso do anunciante.

Quem se atualizou e investiu em equipamentos digitais para complementar sua linha offset, não tem do que reclamar. Com a economia em crescimento, os investimentos em impressos promocionais não param, e sem chance para um substituto digital, pelo menos num futuro próximo. É, ainda não chegou a hora do papel eletrônico!


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