Introdução ao Gerenciamento de Cores

Finalmente daremos continuidade à nossa série sobre processos gráficos.

Expliquei anteriormente como se forma a cor nos processos de impressão. Agora precisamos entender como essas cores são processadas entre os dispositivos digitais (camera fotográfica, monitor, scanner e ctp) e impressas.

Sabemos então que a cor chega nos nossos olhos através da reflexão da luz RGB, que tem uma parte absorvida pelas tintas impressas no papel. Essas tintas são impressas através de pequenos pontos para cada cor, formando uma retícula.

Mas aí vem a pergunta, como o meu arquivo digital vira um ponto de retícula? E como um arquivo RGB pode virar pontos separados em cores CMYK?

Como foi explicado, para cada cor RGB existe uma oposta que serve como um filtro da luz solar, causando a reflexão das suas complementares e assim enxergamos a cor. Portanto para o Vermelho (R) usamos a oposta Cyan (C), para o Verde (G) a oposta Magenta (M), Azul (B) oposta Amarelo (Y), e o Preto (K) para reforçar o preto gerado pelas outras cores e para reproduzir os textos. Para cada valor de RGB que vai de 0 a 255 (onde podemos comparar com uma lâmpada, sendo 0 para apagada e 255 para totalmente acessa) existirá um tamanho de ponto em CMYK (que tem sua gradação relativa à área que ele ocupa no papel, onde 50% quer dizer que é um ponto que ocupa 50% da área que ele poderia ocupar se tivesse 100%).

Separação de Cores com UCR

Temos que entender que para fazer essa conversão existem várias configurações que podem ser escolhidas, e que podem alterar drasticamente o resultado final impresso. Uma dessas possibilidades é justamente na escolha da geração do preto, que como vimos anteriormente poderia ser reproduzido pelas cores CMY, mas pela baixa qualidade das tintas é utilizada também uma cor adicional, o Preto.

Separação de cores feita em Photoshop utilizando-se o método UCR, com 320% de carga máxima e limite do Preto em 85%. Ao centro, a sobreposição das tintas Ciano, Magenta e Yellow. À direita, o Preto gerado pela separação.

Separação de Cores com GCR

Nas duas fotos acima é possível ver a influência dos diferentes níveis de GCR oferecidos pelo Photoshop ao fazer uma conversão RGB-CMYK. Na foto superior, a separação foi produzida com o Photoshop utilizando o método GCR leve. Na de baixo, a mesma imagem convertida com separação em GCR alto. Note a significativa diferença na quantidade de preto utilizada nos tons de pele. A carga total de tinta em ambas foi ajustada para 320% e limite do Preto mantido em 85%.

Outro fator que deve ser levado em consideração na conversão é o ganho de ponto. Veja como a retícula offset se comporta em diferentes tipos de papéis:
Como um ponto de 50% de tinta não ficará com esses 50% quando impressos, não dá simplesmente para converter um ponto de nível 128 de vermelho e esperar que com pontos Magenta e Amarelo de tamanho 50% tenhamos exatamente um vermelho igual o de nível 128 exibido em um monitor. O ganho de ponto acontece porque a tinta acaba se espalhando pelo papel, um efeito fácil de visualizar fazendo-se uma experiência doméstica: pegue um pedaço de papel higiênico e pingue uma gota de tinta nanquim ou de caneta Bic mesmo. Essa gota que era pequena, espalhará tanto no papel que ocupará uma área de mais de 5 vezes seu tamanho original.
Portanto teremos que “avisar” ao software em que estaremos convertendo o arquivo de RGB para CMYK, de que há esse ganho de ponto, dizer qual o nível, em que porcentagens de tinta ele ocorre mais ou menos, enfim, fazer uma curva de compensação:
Veja os diferentes ganhos de pontos, em diferentes papéis e processos:
Hoje em dia o uso dessas curvas de compensação está muito mais difundido do que no passado. Você já deve ter ouvido falar nelas, mas na sua forma atual, o famoso perfil “ICC” (de International Color Consortium). O ICC determinou um padrão de arquivo digital que fosse lido em todos tipos de computadores e softwares gráficos. No começo, tínhamos que configurar manualmente todos os itens característicos da impressão, até a cor Lab de cada tinta. Hoje temos perfis produzidos dentro do padrão ISO da cor nos sistemas de impressão, o 12647-2, que facilitou muito a vida das gráficas no mundo todo. Veja um exemplo dos perfis de cores ICC encontrados no pacote Adobe CS:
Com esses perfis podemos fazer um “Gerenciamento de Cores” eficiente, onde iremos dizer aos nossos dispositivos (monitor, prova de impressão digital, software gráfico, ctp, etc) qual cor queremos chegar (por exemplo, impressão Offset plana em papel couchê, onde usaremos o ICC Coated Fogra 27), e que padrão de cor nossa imagem original está usando (RGB, ICC sRGB), aí é só deixar o software fazer a “mágica”!!! Seria bom se fosse só isso, mas ainda existem alguns detalhes para que tudo funcione corretamente e possamos ver na tela do nosso computador ou prova digital um retrato fiel do que será impresso em Offset, mas esses detalhes deixaremos para o próximo post, até lá!

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