Monthly Archives: Abril 2012

A formação das cores – parte 1

Retomaremos a série sobre os tipos de impressão falando sobre como se formam as cores na impressão Offset.

Primeiramente temos que entender como a cor chega nos nossos olhos.

A luz do sol (e de qualquer objeto que emite luz) pode ser absorvida, refletida, transmitida e refratada. A refração é quando, através de um objeto refrator como um prisma, a luz é decomposta ou dividida para pontos diferentes. A transmissão acontece em vidros por exemplo, quando nenhuma parte da luz é perdida (caso hipotético). E o que nos interessa aqui, a absorção e a reflexão.

A luz que vem do sol ou qualquer fonte de luz branca, é composta por todo o espectro de luz visível pelos nossos olhos.

O nosso olho possui células nervosas especializadas em enxergar cores, chamados Cones. Quase dois terços dessas células são de responsáveis por enxergar a faixa de baixa frequência, os vermelhos, um terço enxerga a faixa média, os verdes, e apenas 2% consegue enxergar a alta frequência, os azuis. Por essa razão, e por termos uma distribuição de dois extremos, vermelho e azul, e uma faixa média, verde, é que foi criado o padrão RGB. Podemos ver como as cores principais formam outras secundárias na síntese aditiva, abaixo:

E nós só enxergamos alguma coisa quando a luz chega aos nossos olhos. Essa luz pode vir diretamente de uma fonte emissora, como o sol, uma lanterna, um monitor ou uma tv, ou indiretamente, refletida por uma parede ou um papel.

Mais duas ilustrações:

A geração das cores na reflexão é chamada de síntese subtrativa, onde as tintas impressas servem como filtros absorvendo parte da luz, subtraindo-as. Portanto, para enxergarmos uma cor Cyan, por exemplo, a tinta Cyan deverá absorver a sua cor complementar (veja o terceiro quadro, a complementar é a cor oposta no gráfico) que é o Vermelho. Um exemplo de como funciona a absorção e reflexão da luz no papel entintado:

Ou seja, para as cores primárias (RGB) serem visualizadas no papel, devem existir tintas que filtram suas complementares. As complementares do Vermelho são o Magenta e o Amarelo, as tintas que reproduzem o Magenta absorvem o Verde, e o Amarelo absorvem o Azul. Já as complementares do Azul são o Cyan e o Magenta, e do Verde, Cyan e Amarelo. Portanto para reproduzirmos o RGB precisamos do CMY para filtrar a luz branca e refletir suas opostas.

Teoricamente, com as tintas Cyan, Magenta e Amarelo, conseguiria-se imprimir todas as cores do espectro, porém quando estavam sendo feitos os estudos da evolução da litografia (veja o post sobre litografia e offset) descobriu-se que o preto estava ficando marrom. O preto é a ausência de luz e para ser obtido as tintas tem que absorver todas as cores, ou seja, cada uma das cores “filtrantes” Cyan, Magenta e Amarelo, deveriam bloquear totalmente suas opostas, mas devido à baixa qualidade das tintas (que deveriam também ser economicamente viáveis) isso não estava acontecendo, gerando ao invés do preto, marrom. Existia outro problema relacionado ao preto. A maior parte dos textos eram impressas na cor preta, e imprimi-los usando 3 cores era quase impossível na época, e até hoje, pois exigiria um registro impecável, além de uma variação entre as cores que poderia gerar textos marrom esverdeado, vermelhos, azuis, etc. Conclui-se que a melhor saída era acrescentar mais uma cor na trilogia CMY: o Preto. Com isso os textos poderiam ser impressos em preto puro, e as imagens teriam melhor contraste e definição. Nasceu aí o famoso CMYK, que todos conhecem.

Vamos dar um descanso para a cabecinha de vocês e retornaremos com esse assunto semana que vem!


O poder do pensamento negativo

Iremos dar uma pausa no assunto de formação de cores para aproveitar a Drupa 2012 que está fervilhando de novas tecnologias, como as rotativas digitais, e falar um pouco sobre uma pesquisa sendo feita pela R.R. Donnelley, o maior conglomerado gráfico “in the world!” (como diria a Hyundai).

Um texto sobre essa pesquisa (em inglês) pode ser lido aqui, mas irei traduzir alguns trechos interessantes a seguir:

“E se em vez de utilizar cabeças de impressão jato de tinta para jogar tinta elas fossem usadas para aplicar uma substância resistente à tinta¹ que irá subtrair parte de uma imagem produzida por impressão Offset (como um bloco de luz em negativo fotográfico), enquanto estiver sendo impressa?

Seria combinar os benefícios de custos econômicos da Offset com dados variáveis. Tal desenvolvimento pode transformar completamente o mercado de impressão.

Pode soar como ficção científica, mas de acordo com a RR Donnelley (RRD), em breve será realidade e a empresa começará a produzir malas-diretas usando o processo ainda este ano.

RRD chama esse processo de Apollo e é parte do acordo da empresa com a KBA. Na verdade, os detalhes sobre Apollo são as notícias mais significativas a surgirem a partir deste anúncio, e dos recentes desenvolvimentos digitais de grandes fabricantes de impressoras Offset este é o mais importante porque vai além da distribuição e aborda o desenvolvimento da tecnologia….

…Apollo é importante porque trabalha com tintas convencionais, papéis e impressoras. Ao invés de tentar jogar tintas de jato convencionais, que são muito viscosas para ser aplicado por cabeças de impressão, ou usar tintas especiais otimizados com seus próprios custos e problemas de aplicação, a empresa desenvolveu um fluido que trabalha com o processo Offset para permitir imagem variável. Ele funciona como uma máscara aplicada ao papel um pouco antes da unidade de impressão. A cabeça de impressão a jato de tinta aplica uma substância fluida oleofóbica – que é repelente de óleo – para o papel, evitando receber a tinta em áreas onde não é necessária. Em outros aspectos, a produção Offset é normal…

…As implicações são significativas. Produzir dados variáveis utilizando papéis e tintas padrão em uma impressora existente heatset offset sopra a economia de outros processos digitais fora da água. Ele também permite a RRD atender seus objetivos estratégicos na impressão digital. Estes são para maximizar o tempo de vida e retorno sobre o investimento de seus sistemas de transporte de papel (offset convencionais e linhas de acabamento), tendo a opção de atualizar aqueles com as mais recentes tecnologias de impressão digital quantas vezes é apropriado….

…Mesmo com base em informações limitadas divulgada a data, este é de longe o mais significativo dos desenvolvimentos digitais anunciadas pelas gigantes alemãs de impressão offset, devido ao processo inovador de desenvolvimento tecnológico que é parte dela.”

¹ Vimos isso nesse post

Eu já iria mais além, no que eu chamo de impressão híbrida, computer-to-press de verdade, e colocaria esses jatos-de-tinta para imprimir com essa substância oleofóbica direto na chapa (que não teria nada gravado), funcionando de maneira similar às impressoras lasers e seus “cilindros de imagem”, onde a imagem seria formada a cada nova entrada de papel diretamente nesse cilindro, para depois ter a tinta offset aplicada e transferida para a blanqueta. Daí teríamos um custo de offset (um pouquinho maior em virtude da cabeça jato-de-tinta e da substância oleofóbica) com o benefício da impressão digital, totalmente sob demanda e customizável, podendo se imprimir one-to-one.

Será que é sonho ou o futuro?


Processos Gráficos – Offset (parte 2)

Vamos à continuação da nossa conversa sobre impressão Offset.

Como disse no post anterior, a Litografia foi a precursora da impressão Offset, mas como isso ocorreu?

Em 1891 chapas de alumínio para a litografia foram patenteadas, representando um grande avanço pois eram muito mais leves e duráveis que os blocos de pedra, difíceis de transportar e armazenar. A chapa de alumínio permitia também uma granulação mais fina e consequentemente uma maior qualidade de impressão.

A partir da invenção dos processos fotográficos, a impressão também passou por grandes avanços. A fotolitografia e a fotomultiplicadora foram inventadas, o que permitia transpor fotografias para as chapas de impressão. Foi possível obter mais precisão e registro absoluto que seriam essenciais nas separações de cores.

Algumas outras evoluções no processo químico foram incorporadas, permitindo chapas com muito mais qualidade e possibilitando o processo indireto (a litografia era direta) no qual a imagem da chapa entintada, que continha tanto as soluções de água quanto de óleo (tinta), era transferida para um rolo de borracha (blanqueta) e esse rolo é que entrava em contato com o papel, e não a chapa diretamente como na litografia. Isso permitiu uma durabilidade maior da chapa, que não sofria a abrasão constante do papel, muito mais áspero que a borracha.

Outra modificação que se tornou possível veio através do fato da chapa de alumínio ser flexível. Concluiu-se que seria mais produtivo se a chapa formasse um cilindro, girando em torno do próprio eixo, aumentando assim a velocidade do entintamento e diminuindo as dimensões da impressora. A parte transferidora (blanqueta) também em formato cilíndrico, assim como todo o transporte de tinta e papel, possibilitou uma velocidade muito grande de impressão e máquinas compactas.

Mas tudo isso teria sido em vão se não fosse inventado o processo de separação de cores, que permitiu a impressão de fotografias e imagens coloridas numa gama infinita de tonalidades, não sendo mais limitadas às cores fixas. Anteriormente para cada cor era necessária uma chapa (como o que hoje é a escala Pantone). Com esse processo foi possível ter milhões de cores em um mesmo impresso.

E isso é assunto para o próximo post, até lá pessoal!


Processos Gráficos – Offset (parte 1 – Litografia)

Começaremos aqui nossa série sobre processos de impressão, onde iremos apresentar as mais variadas técnicas como Offset, Rotogravura, Flexografia, Tipografia e para começar, Litografia.

Para quem conhece um pouco, sabe que esse sistema não existe mais comercialmente, estando reservado apenas às manifestações artísticas.

Então porque falar sobre algo que representa uma pequeníssima parcela no vasto mundo atual das artes gráficas?

Porque ele é o precursor do tão famoso e difundido processo de impressão chamado Offset.

Litografia, do Grego lithos, pedra e grafo, escrevo, foi inventada por Alois Senenfelder, entre os anos de 1796 e 1798, na Alemanha, buscando um meio de impressão para seus textos e partituras.

O sistema de impressão é chamado “planográfica direta” (não tem diferença de relevo), cujo princípio básico é a incompatibilidade entre a água e o óleo, ficando as zonas a serem impressas “engorduradas”atraindo a tinta e repelindo a água, e as áreas não-impressoras fazendo o contrário (talvez você já tenha ouvido o termo “solução de molha” nas gráficas).

Eram utilizadas pedras calcárias com espessura de 5 a 10cm, onde as áreas a serem impressas eram tratadas quimicamente a fim de ficarem porosas e reterem as substâncias gordurosas (tintas), e as não-impressoras também recebiam tratamento para reter água.

A obra podia ser realizada diretamente sobre a pedra ou decalcada sobre ela. Depois de pronta, a pedra recebia uma fina camada de água e após, uma de tinta, para depois entrar em contato com o papel e transferir a obra.

Prensa litográfica criada por Senenfelder.

Era possível fazer imagens coloridas, utilizando-se mais de uma matriz (pedra), sendo facilmente encontradas reproduções com mais de 8 cores.

No Brasil, a Litografia existe desde o final do século XIV, e era utilizado principalmente para rótulos de embalagens e mesclada com a tipografia para produzir jornais e revistas.

No próximo post sobre processos gráficos iremos descobrir como esse sistema evoluiu para o Offset.

Até lá e boa Páscoa!


O futuro da impressão – parte 3

Na virada do século vinte a computação pessoal já não era coisa de ficção científica e as comunicações, avançadíssimas com a internet e telefonia móvel.

Nessa época os impressores do mercado promocional sentiram um friozinho na barriga, acreditavam que a famosa mala-direta seria substituída pelo e-mail e os panfletos, folders, catálogos, tabloides de oferta, entre outros tantos, seriam substituídos s por banners, páginas na internet e catálogos eletrônicos.

Mas todo aquele frisson da internet esfriou com o “estouro da bolha”, quando várias empresas digitais deixaram de existir. Os anunciantes recuaram e começaram a retomar suas verbas para os meios físicos novamente. Aconteceu também algo inesperado, enquanto os especialistas acreditavam que o correio eletrônico acabaria com o convencional, o spam fez com que isso não acontecesse. Os usuários recebiam tantos e-mails com lixo eletrônico que a maioria daquelas propagandas impressas que estavam agora sendo enviadas digitalmente, iam direto para o lixo sem chance alguma de serem lidas. Os consumidores estavam preferindo receber uma mala-direta convencional, do que o e-mail.

Felizmente, um pouco antes desse movimento, existia outro com uma tecnologia que parecia promissora e que poderia alavancar vendas aos anunciantes: a mala-direta personalizada. Os fabricantes de impressoras digitais viram aí uma oportunidade de ouro, investindo em pesquisa para lançar equipamentos cada vez mais rápidos e com maior qualidade, capazes de gerar impressos cada vez mais personalizados.

A customização com dados variáveis ajudou a impressão digital em papel a se popularizar entre o mercado promocional, que viu uma maneira muito rápida de produzir uma infinidade de materiais de ponto de venda, marketing direto e promocional.

Panfletos, folders, cartazes, displays, catálogos, brochuras, poderiam ser produzidos na quantidade exata, sem desperdícios, na hora que fosse preciso. No começo ainda havia uma certa resistência em relação à qualidade dos impressos, mas hoje eles são equiparados à offset e em alguns casos até melhores. Impressoras que produzem quase 10.000 impressos 4 cores por hora são comuns no mercado, como a iGen 4 da Xerox, com formato 53×38, atende a todo tipo de demanda do mercado promocional.

Hoje a impressão com dados variáveis está tão difundida que todos já receberam uma mala-direta com seu nome e uma oferta direcionada, mesmo que aqui no Brasil a personalização full color ainda não esteja à altura do bolso do anunciante.

Quem se atualizou e investiu em equipamentos digitais para complementar sua linha offset, não tem do que reclamar. Com a economia em crescimento, os investimentos em impressos promocionais não param, e sem chance para um substituto digital, pelo menos num futuro próximo. É, ainda não chegou a hora do papel eletrônico!


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